Você está no meio de uma vida louca, trabalhando, cursando doutorado em outra cidade, namorando um cara de uma terceira cidade, a vida é uma ponte aérea... Baladas inesquecíveis, barzinho todo fim de tarde, almoço com as amigas, amigos novos, músicas novas, viagens para congressos, mil planos para o mês que vem, outros mil planos para o ano que vem e um milhão de perspectivas para os próximos 5 anos. Te soa familiar? Pra mim também. Até que descobri a gravidez.
No início é até legal. Todo mundo te parabeniza, fica uma sensação de êxtase, um friozinho na barriga de mudança por vir... até que cai a ficha: e agora? E o meu doutorado? Cara, a vida já tava uma loucura quando eu tinha que cuidar só de mim, como será agora, com um ser que depende inteiramente da minha disponibilidade, da minha saúde?? E a sensação mais real de todas: e o pai do meu filho?? Será que eu queria mesmo me casar com esse cara? Será que ele vai ser um bom pai? Será que ele vai me trair durante a gravidez? Será que ele vai mudar? Bom, mudar certamente vai, já que tudo vai mudar... mas será que muda pra melhor ou pra pior???
A gente já estava junto há uns 4 anos. A relação estava cada vez mais estável, menos brigas, mais confiança (se é que é possível haver confiança depois de tantas burradas cometidas, de ambos os lados). Mas ter um filho... a gente só falava nisso de brincadeirinha, até soava meio romântico. Mas eu não levava muito a sério. Foi a minha primeira angústia: agora, tenho uma ligação com este cara pelo resto da minha vida. E com a família dele também.
Bom, tudo bem... sem desesperos. No mundo moderno nenhuma mulher fica presa a um homem por causa de um filho. Eu já tenho meu emprego, ganho bem o suficiente para não depender de pensão, então vamos esquecer esta angústia e curtir o momento. É lógico que ele vai curtir também, quem não gostaria de ter um filhotinho, sem nem mesmo precisar parir? A gente se adora, e se admira. Não há razões para antecipar uma angústia com relação a uma possível separação. A onda agora é curtir o momento, sexo na gravidez é super diferente, por causa do lance dos hormônios... enfim, de boa. Essa até que foi fácil.
Aí vem a segunda angústia. Os meus planos.... No meu caso, eu havia acabado de receber uma bolsa para um estágio de 5 meses no exterior para conclusão do meu
doutorado. E agora? Vou ter que abrir mão assim, de uma hora pra outra??? Tá, tem gente que perde a única olimpíada que poderia ter participado na vida por conta de uma gravidez... eu ainda vou ter muitas chances de estagiar no exterior... tudo bem, tudo bem.... Tudo bem nada! Eu queria muito curtir esse estágio ao máximo, publicar uns 5 artigos, conhecer gente nova, sair, beber, estudar com tempo, sempre disse: vou fazer esse estágio antes de ter filhos!!! Por que fui dar aquele mole... por que não me cuidei como deveria?? Essa sensação sim, é difícil de curar. E saber que seu filho não tem nada a ver com isso, traz um pouco de confusão também, porque te obriga a se sentir feliz com a gravidez, mesmo não estando plenamente satisfeita.
Eu sempre quis ter filhos. Minha família é grande, tenho um monte de primos. Mas eu me sinto uma adolescente, aos meus plenos 27 anos. Me sinto uma legítima vítima de gravidez na adolescência. Para quem vê de fora sempre soa um pouco ridículo, mas é a mais pura verdade. Eu, apesar de bem empregada, em um relacionamento estável, morando sozinha, achava que era muito cedo para ter filhos. A gente sempre quer um filho pra daqui uns 3 anos. Mas o agora sempre é cedo demais.
Procurei muito material para ler, para me identificar. Mas metade das coisas que li, eram sobre mulheres que queriam muito engravidar, mas não conseguiam, ou que engravidaram querendo muuito. A outra metade eram sobre as loucuras da maternidade, como ser mãe é difícil, de como você não precisa de um filho para ser feliz. Então decidi parar de ler essas coisas, e escrever um pouco sobre a minha situação, que se parece com a de tantas outras mulheres: sempre quis ter um filho, mas não achava que seria agora. Sempre quis ter um filho e sempre soube das dificuldades que poderiam existir, e isso nunca me desanimou. Eu só não queria que fosse exatamente agora.
Se você se identifica com essa situação e estas ansiedades, acompanhe mês a mês os estágios desta gravidez, e da maternidade. Espero poder estar escrevendo daqui a um ano, que todas estas angústias se transformaram em comédia, e que minha vida continua super agitada e cheia de perspectivas, apesar das mudanças. E que minha filhotinha é linda, saudável, esperta e que certamente me encherá de alegria!
Querida,
ResponderExcluirForça em Deus! Faço mestrado em literatura, sou palestrante em capacitações de professores e trabalho como professora em dois colégios e tenho um bebê de um ano e já quero encomendar o outro...rsrs. Quando somos mães, somos mais fortes e capazes! Já conquistei muito após o parto e quero crescer ainda mais, fazer phd, viajar. É só comprar um sling e vamos lá... rsrs... O bebê vai apenas te fazer alguém melhor e mais confiante em si mesmo, não vai te atrapalhar em NADA. Com certeza, vc terá muito apoio da família. E lembre-se: cada dia o seu mal... Pense primeiro em se cuidar, relaxar, comer bem, tomar as vitaminas e se exercitar! Tudo vai dar certo! Bjs.
Há dois anos mudei para uma cidade que não era minha com meu marido e minha filha que tinha dois meses. Preciso dar continuidade ao mestrado e iniciar o tão sonhado doutorado. No entanto, sempre quis ter dois filhos e já passei dos 30. Descobri essa semana que estou grávida e vem um pouco de preocupação em como dar continuidade ao projeto doutorado.
ResponderExcluirFico feliz em ver relatos de outras meninas que também passaram por situações semelhantes!
Obrigada pelo espaço e vamos acompanhando.
Pelo que eu vi no seu post, voce ja deve ter tido o seu filho, como continua o doutorado? eu estou no mesmo barco, estou no último ano do doutorado, quero entregar a tese em maio do ano que vem, e provavelmente a defesa sera no segundo semestre. E o baby nasce em agosto, nao sei como fazer, pois moro no exterior, e so tem eu e o meu marido, como vou conseguir me preparar para os exames finais com um recem nascido em casa.
ResponderExcluirRN-014/2010
ResponderExcluiré a noma regulamentadora q garante q as parturientes tenham bolsa prorogadas por mais 4 meses remuneradas.
abraço