Oi meninas. Escrevi o post passado há alguns meses, em momento de necessidade de desabafo mesmo. Para mim foi muito difícil ter que "fingir" felicidade plena por ser mãe, quando na verdade tinha vários conflitos dentro de mim. Não é que eu não estivesse feliz, mas querendo ou não, a gravidez te tira de uma certa zona de conforto. Mas então vamos lá, vou contar para vocês como estão as coisas agora, que minha filhota está com 10 meses.
Bom, para Taty.. não se iluda, os primeiros meses, mais intensamente os 3 primeiros, você não vai conseguir trabalhar na sua tese. Então desencane, relaxe e cuide bem da sua cria, é o melhor que você faz. Já é um momento muito estressante, de muitas novidades, para você ter que ficar se estressando com exames de doutorado. Dos 3 aos 6 meses até que dá pra sentar de vez em quando quando o filhote dorme, e dar uma organizada nos dados, relembrar o que tinha que ser feito. No meu caso, essa distanciada da minha tese foi até boa para eu rever os objetivos e certos resultados. Meu ritmo foi retomando mesmo depois dos 6 meses.
Tem gente que consegue melhor que eu. Talvez você seja mais organizada, mais determinada, e até consiga terminar tudo antes do seu filho ou filha completar 6 meses. Eu não quis forçar muito a barra, eu quero curtir todos os anos da minha filha, porque aquele velho clichê "nossa, aproveita porque passa rápido" é a mais pura verdade. Passa como um sopro mesmo. E ser mãe, é muito bom.
Como é anônimo, posso dizer sem fingimentos... É realmente muito bom ser mãe. É um amor verdadeiramente incondicional, e a natureza é sábia nesse sentido, porque ela te dá um amor bem maior do que as restrições de liberdade que a maternidade traz. Tem gente que diz "ah, nem consigo imaginar minha vida sem minha filha agora.." Bom, eu consigo. Acho que eu estaria muito bem, obrigada. Provavelmente estaria viajando pelo mundo, teria terminado minha tese, enfim... Mas não acho que ter diminuído a marcha na trilha profissional da minha vida tenha sido algo ruim. Minha filha é muito gostosa, muito esperta, e o desafio de inclui-la nos meus planos profissionais, é bem gostoso. Tenho ido a congressos e levado ela junto comigo. Tenho trazido menos trabalho pra casa, mas meu trabalho tem rendido mais na universidade. E essa coisa de se ter menos tempo para se dedicar para a tese, me tornou uma mulher mais criativa. Eu sinto que fiquei mais inteligente (hehe) verdade! Parece que minha cabeça cria alternativas para resolver determinados problemas mais rapidamente agora.
Enfim, estou muito empolgada com a maternidade. Acho que compensa toda a desaceleração em qualquer aspecto da vida. Eu podia passar horas falando sobre assuntos de mãe, sobre parto, amamentação, alimentação saudável, pediatras, sono do bebê (esse é o mais interessante), envolvimento do pai... mas acho que existem várias outras fontes pela net sobre esses assuntos. No momento, acho que vale falar sobre essa divisão do tempo da mãe.
Acho que para criar um ritmo de trabalho, tem que ter uma organização da rotina diária muito bem estabelecida. Primeiro, porque a rotina ajuda o bebê a ficar mais tranquilo. E um bebê mais tranquilo, significa uma família mais tranquila. =) A maternidade é tão gostosa, e exige tanto de você, que talvez você pense até em deixar seu doutorado de lado para cuidar 100% da família, e até passe a entender melhor as mulheres antes do feminismo. Eu mesma ponderei sobre esse assunto. Cheguei à conclusão de que uma mãe realizada, é uma mãe melhor. E os filhos são para o mundo não é mesmo? Daqui há uns poucos anos, estão todos na escola, resolvendo suas vidas, e a mãe deixa de ser aquela figura tão essencial. Mas aí voltar para a carreira não é mais tão simples assim. Então não aconselho a abandonar suas coisas, seus planos, seus sonhos. Recomendo a diminuir a marcha, para não enlouquecer. Continue fazendo as coisas num ritmo em que tudo funcione em harmonia. Se libere das paranoias de academia, e se dê um pouco mais de prazo. Se você depende de bolsa, procure sobre possíveis licenças (a CAPES e o CNPq prorrogam a bolsa por 4 meses). Se for preciso, tranque por um tempo... Eu acabei que fiquei mais enrolada porque trabalho também. Então trabalho, doutorado e maternidade... está complexo! Mas dá para fazer. Se for só maternidade + doutorado, vai ser mais tranquilo do que se imagina.
O que eu tenho observado, é que o caminho a ser seguido é o caminho do meio... Não abandone a função de mãe, ou será uma mãe arrependida. Não abandone as pesquisas, o doutorado, ou será uma mulher frustrada. Dá sim para conciliar as coisas. Este mês vou colocar minha filha na escolinha por meio período. No outro turno ela fica com o pai, com a avó, com a outra avó... Se tiver recursos para pagar, não vejo problemas em deixar período integral a partir dos 6 a 8 meses. Se for necessário para que as coisas funcionem, vá em frente. O importante é não sentir culpa por querer dar continuidade aos planos anteriores à maternidade. Não sei como é no exterior, mas vejo que por aqui, os berçários estão cada vez mais profissionais, e mais confiáveis. Na verdade esse é um assunto que toma muito tempo também, e eu só queria tocar no ponto da importância da divisão do seu tempo. Para haver esse equilíbrio, tem que ter ajuda de alguém. Da família, de uma babá, de uma escolinha. Não rola de fazer tudo sozinha... Eu sempre fui meio metida a ser independente demais, mas para fazer tudo o que se quer, tem que ter ajuda. Vá estabelecendo esse rede de auxílio antes dos 6 meses, para quando for voltar à ativa, já ter um esquema mais estruturado.
Quero postar alguma coisa daqui a seis meses, dizendo que o meu doutorado acabou! Com um certo atraso, mas tudo bem... Vamos torcer para que realmente tenha acabado. Por enquanto, estou conciliando as coisas, e digo que está caminhando. Não se apavorem! Achava que a maternidade seria mais difícil do que realmente é.
Vou tentar escrever mais... escrever aqui me ajuda a organizar meus pensamentos. Escrevam de volta e assim vamos organizando vários pensamentos em conjunto =)
e aí? conseguiu terminar o doutorado?
ResponderExcluirGente.. tá acabando!! hehe! Novela sem fim! Mas tá acabando de verdade agora...
ResponderExcluirComo está sua vida agora? Estou com 30 anos, penso em entrar no doutorado e trabalhar...e ainda poder ter um filho...mas acho que não consigo no meio disso tudo. Quais são seus planos agora e suas frustrações?
ResponderExcluirEu passei na seleção de mestrado e descobri que estava gravida no mesmo mes. Estou de 5 meses agora e começaram as minhas aulas. Fico pensando se tranco meu mestrado quando ela nascer nessas férias e re-inicio no proximo ano. Difícil é deixar ela sozinha recém nascida, só com o pai, pq não tenho nenhum familiar próximo pra me ajudar a ficar com ela. Tenho medo de não conseguir concluir meus creditos que são 24 em 2 anos...eita, estou bem perdida, realmente não queria ter que trancar, mas não estou vendo outra saída!
ResponderExcluirEngravidei no segundo ano do mestrado e confesso que foi minha rede de apoio e meu bebê que me deram forças para terminar no prazo e ainda publiçar. Agora no doutorado penso no segundo. Mas tenho muito desejo de fazer intercâmbio. Aí vc fez? Como conciliou? ALGuma dica?
ResponderExcluirEu terminei há algum tempo já. Depois de muitos desafios, deu certo. Não foi fácil não... mas é possível. Dediquei minha tese a todas às mães pós-graduandas. Força mulherada, é possível. Não esmoreçam frente às violências da academia. Vamos juntas construir uma Universidade mais feminina, mais feminista. E se quiser desistir, desista por uma boa causa, não por medo, ou por não se achar boa o suficiente para conciliar tudo.
ResponderExcluirNão fiz estágio no exterior. Tive a oportunidade, bolsa aprovada, mas desisti. Hoje penso que poderia ter sido uma experiência interessante, recomendo arriscar, para as que puderem. De preferência com apoio (do companheiro, companheira, mãe, irmãos, alguém - todas nós precisamos de momentos sem filhos)